A magia das palavras com Jorge Ventura

CadddddpturarAs palavras retiradas do livro da vida de ALGUÉM,  que “distraído, na aritmética da vida” distancia-se, “num afastamento contínuo, do que importa, do que alicerça a individualidade, a vontade, a razão, de ser, de sentir, de ganhar e de perder, corolários óbvios do que significa viver”.

 Da ortodoxia da 1.ª pessoa à ausência de métrica

Chego, sem convite, sem me anunciar

De modo, ora brusco, ora devagar
Surpreendo, perturbo, chego a acriançar
Ninguém, não importa o género, consegue ignorar
Chego, violentamente, mas sem magoar
Promovo mudanças, condiciono tudo, chego a abusar
Confesso, sou a responsável, não posso negar
Acusam-me, acusam-me até, de quase matar
Invocam o meu nome, não posso evitar
Quando me maltratam, fico a pensar
Cometem um erro, não posso alertar
Se me evocarem, posso lacerar
Terrível rotina, ouço comentar
Esgotei o meu tempo, dizem, a soluçar
Não, não acredito, não posso acreditar
Um dia regresso, e quero ficar
Paixão – Jorge Ventura
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Chegaram as FÉRIAS…

Nestes tempos de Verão e de férias, aqui  fica  um convite para viajar pelo nosso Portugal  com a inspiração da poetisa,  Sophia de Mello Breyner Andresen.

 As Amoras

O meu país sabe as amoras bravas
no verão.  
Ninguém ignora que não é grande,
nem inteligente, nem elegante o meu país,
mas tem esta voz doce
de quem acorda cedo para cantar nas silvas.
Raramente falei do meu país, talvez
nem goste dele, mas quando um amigo
me traz amoras bravas
os seus muros parecem-me brancos,
reparo que também no meu país o céu é azul.

 

Dia Mundial da Poesia – 21 de Março

 

A poesia  é a  força que penetra os nossos sentidos… e que tantas vezes me fez e faz ainda  sonhar!  Sons… sentimentos… sensações… momentos… no fundo, presentes à vida. 

Deixo-vos com a palavra de um grande poeta, Eugénio de Andrade cuja obra é uma das mais sólidas e incontornáveis da poesia portuguesa.  

As palavras 

 
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.
Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

                                                             Eugénio de Andrade 

DIA INTERNACIONAL DA MULHER

 

O dia da mulher é uma homenagem às mulheres que lutaram e ainda continuam a lutar pelos direitos igualitários. Durante séculos, o papel da mulher incidiu sobretudo na sua função de mãe, esposa e dona de casa. Ao homem estava destinado um trabalho remunerado no exterior do núcleo familiar. Com o incremento da Revolução Industrial, na segunda metade do século XIX, muitas mulheres passaram a exercer uma actividade laboral, embora auferindo uma remuneração inferior à do homem. Lutando contra essa discriminação, as mulheres encetaram diversas formas de luta na Europa e nos EUA.

A data foi adoptada pelas Nações Unidas, em 1975, para lembrar tanto as conquistas sociais, políticas e económicas das mulheres como as discriminações e as violências a que muitas mulheres ainda, hoje, estão sujeitas em todo o mundo.

Mas não podemos jamais esquecer o que esse reconhecimento custou. O dia da mulher, é um dia em que esta mensagem de reconhecimento necessita ser lembrada e divulgada no mundo todo.

 Dia INTERNACIONAL da MULHER

é o dia de celebrar a cor, a magia,

é a força que nos alerta que podemos

viver e amar como outro qualquer no planeta.

 

É a hora de valorizar o dom de misturar

dor e a alegria que nos faz rir quando

devíamos chorar e encontrar graça,

lutando sempre  pelos sonhos.

 
Fonte: Poema ( adaptado ) – www.crefito1.org.br/
 

Dia Internacional da Língua Materna

Em 1999 a UNESCO  estabeleceu o Dia Internacional da Língua Materna  a 21 de Fevereiro, acreditando que as diferentes línguas e culturas representam valores universais importantes para a unidade e a coesão das sociedades.

Mais da metade das seis mil línguas mundiais corre risco de desaparecer neste século, segundo o Atlas da Organização da ONU para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), editado em 2002.

Por sua vez, o presidente da Conferência Geral da Unesco, Moussa Jaafar Bin Hassan, reconheceu que é “difícil enfrentar a maré da globalização” que situa o inglês em uma posição de domínio por meio da cultura anglo-saxã.

O português ocupa a 8ª posição entre as dez línguas mais faladas do mundo; calcula-se que seja falado por cerca de 230 milhões de pessoas.

A Língua que falas e escreves
é uma árvore de sons
que tem nos ramos as letras,
nas folhas os acentos
e nos frutos o sentido
de cada coisa que dizes.
(…)
A árvore desta língua
cresce no nosso quintal
e definha de vergonha
sempre que a tratam mal,
sempre que a sujam e vergam
com os erros cometidos
por quem usa as palavras
sem lhes saber os sentidos
e pensa que a gramática
é uma bola de futebol
que se trata com os pés.
(…)
 E o orgulho que temos
nesta Língua Portuguesa,
irá do berço para a escola
e da escola para a rua,
pondo em cada palavra
uma pepita de ouro
e uma centelha de lua,
pois afinal esta língua
será sempre minha e tua.
José Jorge Letria, Esta Língua Portuguesa

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A Declaração Universal dos Direitos Linguísticos considera que todas as línguas são a expressão de uma identidade colectiva e de uma maneira distinta de apreender e descrever a realidade, pelo que devem poder beneficiar das condições necessárias ao seu desenvolvimento em todas as funções.

Espólio integral de Fernando Pessoa online em 2010 na BND

A Biblioteca Nacional Digital (BND), departamento da Biblioteca Nacional de Portugal (BNP) que disponibiliza 10.500 títulos em formato electrónico, vai colocar online no próximo ano o espólio integral de Fernando Pessoa.

Segundo, Helena Patrício, directora de Serviços de Sistemas de Informação da BNP, que inclui o Serviço de Gestão de Conteúdos Digitais, a digitalização do espólio do poeta ,ficará concluída no presente ano.

Das obras de autores portugueses disponibilizadas na BND nos últimos dois anos, destacam-se, pelo seu carácter único, “os 29 cadernos manuscritos e o dactiloscrito da ‘Mensagem’ de Fernando Pessoa” e os documentos dos espólios de José Saramago, Antero de Quental e Camilo Pessanha”. Camilo Castelo Branco, António Feliciano de Castilho, Almeida Garrett, Alexandre Herculano ou Eça de Queirós são outros dos autores representados na BND,cujas obras foram digitalizadas a partir do fundo documental da Biblioteca Nacional de Portugal.

 Para consultar a BND, clique na imagem

Bibliotena Nacional Digital

 

Fonte: Revista Visão de 7 de Dezembro

É dia de Natal … Fernando Pessoa

  Porque hoje é Natal, partilho dois poemas do eterno, Fernando Pessoa

  

 Chove. É dia de Natal.
Lá para o Norte é melhor:
Há a neve que faz mal,
E o frio que ainda é pior.

 E toda a gente é contente
Porque é dia de o ficar.
Chove no Natal presente.
Antes isso que nevar.

Pois apesar de ser esse
O Natal da convenção,
Quando o corpo me arrefece
Tenho o frio e Natal não.

Deixo sentir a quem quadra
E o Natal a quem o fez,
Pois se escrevo ainda outra quadra
Fico gelado dos pés.

 Fernando Pessoa