
Já há algum tempo, que venho a defender a ideia que sendo a escola espaço de vida, socialização e formação dos jovens, deve promover a passagem para a outra “margem”, a do desenvolvimento de novas práticas pedagógicas em que o empreendedorismo deve ser incrementado em contexto de sala de aula, desenvolvendo-se o gosto pela tomada de risco, fomentando-se o espírito de iniciativa e criatividade ou melhor, promovendo-se uma nova ATITUDE…
___________________________________
Deixo aqui, um artigo publicado ontem à tarde no Jornal de Negócios Online
Em algumas escolas do país, o ensino do empreendedorismo começa cedo, desde os primeiros anos de escolaridade obrigatória. Empresas como a GesEntrepreneur ou a associação Aprender a Empreender são responsáveis por projectos que abrangem alunos do 1º ciclo ao Ensino Secundário e onde a preocupação é não só transmitir conceitos, mas também desenvolver projectos práticos.
A oferta de empreendedorismo não se limita aos adultos. Várias escolas do país, desde o 1º ciclo do Ensino Básico até ao ensino secundário, têm já os seus alunos a aprender conceitos básicos sobre o que é ser empreendedor, o que é um plano de negócios e mesmo a testar na prática as suas ideias de negócio. A iniciativa parte das câmaras municipais ou das escolas, que recorrem a serviços de empresas ou associações vocacionadas para o ensino do empreendedorismo.
A GesEntrepreneur é um desses casos. Nasceu no âmbito de um grupo empresarial, que conta por exemplo com a GesVenture, uma empresa de capital de risco que se apercebeu da necessidade de apostar na educação para que pudesse existir massa crítica e bons projectos para apoiar. Ou seja, “era preciso alimentar um ciclo de aposta na inovação”, explica Miguel Gonçalves, managing director da GesEntrepreneur.
Aperceberam-se que 95% da formação em empreendedorismo baseava-se no ensino sobre como fazer planos de negócios, centrada na alfabetização financeira e muito técnica. “São conceitos importantes, mas não fazem de nós empreendedores”, afirma Miguel Gonçalves. A alternativa foi virarem-se para o estrangeiro e importar um novo método de ensino. Fizeram uma parceria com o canadiano Chris Curtis para aplicar em Portugal o método do ‘learn by doing’ (aprender fazendo).
Um método que se centra no desenvolvimento das características necessárias para ser empreendedor, divide o processo em pequenos passos, facilmente atingíveis, um ensino capaz de se adaptar às várias formas de aprendizagem e baseado na experiência, explica Miguel Gonçalves.
…
O ensino do empreendedorismo nas escolas não tem um padrão fixo. Cada caso é um caso. No início do ano, directores de turma, professores e alunos, juntamente com as equipas que fazem formação em empreendedorismo, discutem qual o melhor método a desenvolver durante o ano.
…
Neste caso, o projecto tem um nome: “A Empresa” e significa que, durante um ano lectivo, os alunos têm de criar uma ideia de negócio, ir buscar capital, organizar feiras, um processo que vai até à liquidação da empresa. Os alunos participam, depois, num concurso de âmbito nacional que elege a melhor ideia e essa ideia representa o país no Junior Achievement da Europa. Este ano, o projecto vencedor chama-se “Do a Deal” e consiste na criação de um jogo informático que se destina a gerir um orçamento familiar.
Os projectos da Aprender a Empreender são a custo zero para as escolas, – a associação vive dos recursos disponibilizados pelas empresas associadas e das parcerias com as câmaras municipais – e, este ano, o trabalho envolveu 20 mil alunos de 250 escolas, em 30 concelhos do país. Ao todo, a associação conta com o trabalho de 1.300 voluntários.
Filed under: Educação, Empreendedorismo, Ensino, Notícias | Tagged: Empreendedorismo-Ensino-Educação-Notícias-Ser empreendedor | Leave a comment »